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quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Deixa

As coisas não estavam mais sendo como sempre foram, alguma coisa dentro de mim pedia ajuda. Identifiquei isso, e o relevante disso tudo, dei ouvidos a essa "voz".

Era assim mesmo que deveria acabar? Com uma frase vinda de mal jeito, alguma coisa nas entrelinhas, alguma ironia a ser decifrada?
Eu quis ir não querendo. Daquele meu jeitinho de sempre. Você me pediu pra que te mandasse ir, mas assim eu não queria. Não assim.
Talvez só não quisesse ter mais essa culpa pra carregar.. mais um motivo pra me odiar.

A gente foi embora sem saber que que estava indo. Prolongando cada vez mais.. mais um final de semana, mais uma ligação, mais uma mensagem..
Dói, dói. Dói como eu jamais imaginei que doeria. Pergunte a si mesmo: quantas vezes você se sentiu assim em toda a sua vida?
A resposta é o peso da dor.
Da minha, da sua, da nossa dor.

Você estava com a razão, e eu sei que se você, por ventura, viesse a ler essa minha afirmação, diria baixinho 'eu sempre estou certo'. Igual fazia quando aquela sua comida com cara de gororoba ficava boa.
Meio certo, na verdade. Apenas meio. Demoramos muito não foi? Concorde comigo, não seja teimoso. Demoramos muito.
Prolongamos muito esse vai-e-volta que tinha se tornado a nossa relação, prolongamos de mais essa indecisão de uma certeza,  essa negação de vontades.

Eu te amo e você me ama, só que o nosso amor não é suficiente para nos manter unidos.
É assim que eu gosto de pensar. Pesando assim fica mais fácil acordar e ir dormir todos os dias dessas últimas semanas .. desses últimos meses ..

Precisamos de algo que ainda não temos, e que talvez, nunca venhamos a ter.
O importante, o irreversível, o definitivo, o claro nessa história toda é que eu gosto muito de ti. Muito mesmo. E você sabe, nessa grande caixa de memórias, haverá sempre um lugar vago para você. Você será o pai dos meus filhos. Faço questão. Ninguém vai tomar o seu lugar de meu melhor amigo, mais sincero amor. Ninguém.

Confesso que me dá uma saudade irracional de você. E tenho vontade de voltar atrás nas minhas decisões, de te ligar, de te dizer o quão bobocas estamos sendo e aparecer sem mais nem menos na sua casa; de não sair de lá até que nos entendêssemos, e de enfim, brindar com um baseado.
Mas não, renuncio.  Me controlo e digo pra mim mesma 'não é assim que as coisas voltam pro lugar, se é que existe uma maneira de fazê-lo.
Você se foi, se foi. Se foi e não volta.

Trata-se de uma decepção diferente agora. Não tenho ódio nem nada do tipo, só uma ânsia de choro. De um um choro ardido, doído, sufocante.
Não consegui despejar uma lágrima sequer, e isso têm acabado comigo. Fica aquilo preso na garganta, aquela sensação de alguém apertando torturantemente meu esôfago. Quase uma bomba relógio prestes a explodir. Qualquer hora pode ser a hora.

Me disseram que eu precisava lidar com isso, me acostumar com o fim e me apaixonar por alguém menos arrogante e cabeça dura. Mas quem é que tem coragem, ou mesmo habilidade, pra desacatar o que sente?

Tenho trabalhado tanto. Tenho dormido pouco e ando sem tempo pra praticamente nada.
Queria contar pra você como é lá, e de como as pessoas parecem gostar de mim. De como, apesar de tudo, tenho me sentido bem e dona do meu próprio nariz. Queria contar essas histórias pra você, queria poder pensar a respeito disso e não me entristecer.
É estranho. Estranho não te manter informado do meu dia a dia, ou até mesmo, não fazer algum comentário sobre o que faremos no ano novo.

Deixa, um dia quando menos se espera, a gente supera. E enquanto isso a gente espera. Espera. Espera e torce pra que lá no fundo, perdido, soterrado e cansado, que a vida compense de alguma maneira.
E no momento é cuidar do que restou. Que cuidar do que resta é sempre o que se deve fazer.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

50 receitas

'eu respiro tentando encher os pulmões de vida, mas ainda é difícil deixar qualquer luz entrar.
Ainda sinto por dentro toda dor dessa ferida, mas o pior é pensar que isso um dia vai cicatrizar.

Eu queria manter cada corte em carne viva, a minha dor em eterna exposição, e sair nos jornais e na televisão
só prá te enlouquecer até você me pedir perdão.
Eu já ouvi 50 receitas pra te esquecer,  que só me lembram que nada vai resolver. Porque tudo, tudo me traz você e eu já não tenho pra onde correr.
O que me dá raiva não é que você fez de errado, nem seus muitos defeitos, nem você ter me deixado. Nem seu jeito fútil de falar da vida alheia, nem o que eu não vivi aprisionado em sua teia.
O que me dá raiva são as flores e os dias de sol, são os seus beijos e o que eu tinha sonhado prá nós. São seus olhos e mãos e seu abraço protetor. É o que vai me faltar, o que fazer do meu amor?